Espeleo 2007 - 20 Anos da Toca da Boa Vista
Foi realizado no povoado de Laje dos Negros, município de Campo Formoso, norte da Bahia, entre os dias 27 de dezembro de 2006 e 02 de janeiro de 2007 o evento Espeleo 2007, Encontro Técnico da Redespeleo Brasil, organizado pelo Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas com o apoio da Redespeleo. O evento celebrou 20 anos de exploração e pesquisa na Toca da Boa Vista e Toca da Barriguda, as duas maiores cavernas do Brasil.
Cerca de 50 pessoas de diversas partes do país participaram de atividades espeleológicas variadas, desde exploração e mapeamento, passando por excursões científicas e técnicas sem esquecer das visitas turísticas às principais cavernas da região, como a Gruta do Convento. O quartel general do evento foi a escola municipal de Laje onde os participantes, acampados nas salas de aula, tomavam o café da manhã antes de embarcar em ônibus alugado pela organização do evento até as cavernas. O retorno, no final da tarde, incluía a tradicional confraternização nos bares de Lages antes da volta à escola para o jantar seguido de palestras. O saldo final do evento contabilizou a descoberta e mapeamento de várias novas galerias e cavernas, além do enriquecimento da bagagem espeleológica dos participantes através de novas técnicas e amigos.
O evento mesclou participantes com interesses diversos, em um ambiente que permitiu a integração e o aprendizado, tudo isto no contexto de algumas das cavernas mais espetaculares do Brasil e do mundo.
Os encontros técnicos da Redespeleo Brasil têm preenchido sua função de permitir aos participantes praticarem a espeleologia, travando conhecimento com novas áreas e estilos de caverna. Os organizadores agradecem o apoio recebido da Prefeitura Municipal de Campo Formoso, essencial para o sucesso do evento.
|





 |
| |
|
Clã da Verna se reencontra em Lyon
No último dia 17 de janeiro, foi organizada em Lyon uma reunião muito especial: um reencontro dos antigos companheiros do Clã da Verna, um dos grupos de espeleologia mais ativos da França nas décadas de 1940 e 1950, ao qual pertenceu Michel Le Bret, um dos pioneiros da espeleologia brasileira.
A reunião ocorreu na casa de Daniel Epelly, e contou com a participação de Michel le Bret, Michel Letrône, Hubert Courtois, Louis Balandraux, Pierre Epelly, Jacques Lapraye e Marcel Renaud, todos eles já na faixa dos 70/80 anos de idade. Os amigos se reencontraram após décadas de separação, para dar um apoio moral ao colega Louis Balandraux, um dos mais idosos da equipe, que está enfrentando alguns problemas de saúde. Na reunião, Michel Le Bret levou o livro lançado em novembro passado pela Redespeleo, que conta justamente as aventuras de todos eles. Segundo Le Bret, o livro foi muito apreciado por todos, que puderam relembrar suas antigas aventuras através dos desenhos e histórias retratadas. |

|
| |
|
Comissão rejeita projeto sobre proteção de cavernas
A Comissão de Minas e Energia rejeitou o Projeto de Lei 2832/03, do deputado Hamilton Casara (PSDB-RO), que a regulamenta a proteção do patrimônio espeleológico nacional (relativo a cavernas e grutas). De acordo com a proposta, qualquer projeto, transitório ou permanente, que possa causar impactos significativos nessas áreas depende de licenciamento ambiental prévio, além de outras licenças legalmente exigidas.
Na opinião do relator na comissão, deputado Dr. Heleno (PSC-RJ), o PL 2832/03 se mostra inadequado quando tenta determinar de que maneira os órgãos responsáveis pelo licenciamento ambiental deverão exercer suas funções. "Esses entes já devem ter plena consciência de suas responsabilidades e dos limites de sua atuação técnica", afirmou Dr. Heleno. O relator também discorda de Casara quando este afirma que sua proposta é mais completa que o PL 5071/90, do ex-deputado Fábio Feldmann, que também trata da proteção de cavernas e está na pauta do Plenário. "O substitutivo do Senado ao projeto do ex-deputado Fábio Feldmann, já examinado pelas comissões da Câmara, é mais claro, lógico e abrangente. Além do mais, está pronto para a análise do Plenário", disse o relator. O melhor a fazer, segundo Dr. Heleno, é esforçar-se para discutir e votar o substitutivo do Senado ao PL 5071/90.
O projeto de Hamilton Casara ainda será analisado pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto também depende de análise do Plenário.
Fonte: Agência Câmara 20/12/2006. |
|
| |
|
Parque Nacional da Serra da Bodoquena terá primeira caverna alagada aberta para visitação
O Parque Nacional da Serra da Bodoquena, sediado no município sul-matogrossense de Bonito, no oeste do estado, terá a primeira caverna alagada aberta para visitação pública em Parques Nacionais brasileiros. A liberação da área será possível com a conclusão do plano de manejo, cuja publicação está prevista para junho próximo.
A implementação do parque é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, e sua regularização fundiária é uma das prioridades do governo. Somente em 2006 foram efetuados pagamentos referentes a 5.000 hectares desapropriados, confirmando o compromisso do governo em efetivar os projetos ambientais previstos para a área.
Com a publicação do plano de manejo, estará definida a utilização das diferentes áreas do parque, seja para uso público ou preservação, inclusive a visitação ao Buraco das Abelhas, a primeira caverna alagada do Brasil localizada em Parque Nacional que poderá receber turistas. "Estamos concluindo o estudo da água e o mapeamento geológico, entre outros estudos, para definir a correta utilização da caverna", explica do chefe do parque, Adílio Miranda. "A caverna é profunda. Até agora o cabeamento já tem três quilômetros e ainda não terminamos", diz.
O Parque Nacional da Serra da Bodoquena possui 76.481 hectares, incluindo os municípios de Bonito, Jardim, Bodoquena e Porto Murtinho, todos no Mato Grosso do Sul. A beleza de suas paisagens e cavernas deverá alavancar ainda mais a vocação regional para o ecoturismo, um gerador de renda entre as cidades próximas.
Fonte: MMA 05/01/2007. |
 |
| |
|
Espeleotema famoso no Texas é depredado
Um dos mais famosos espeleotemas do mundo, a "borboleta" das cavernas de Sonora no estado americano do Texas, foi recentemente depredado, causando revolta no meio espeleológico. A borboleta é considerada o mais conhecido espeleotema dos Estados Unidos. Espeleólogos consideram que seria como depredar uma obra de arte de alto valor.
O vandalismo aparentemente ocorreu durante um tour onde um dos integrantes de um grupo de 11 pessoas teria ficado para trás e arrancado (e levado) propositalmente um pedaço da asa direita da borboleta. A depredação foi descoberta meia hora mais tarde, quando o próximo grupo de turistas passava pelo local. Infelizmente o grupo no qual estava o depredador já havia deixado a caverna. A polícia foi acionada, mas ainda não processou o possível culpado, identificado através de um recibo de cartão de crédito.
Os proprietários da caverna estão tentando não só processar o vândalo como também reaver o pedaço do espeleotema, já que é possível repara-lo. A sociedade espeleológica norte-americana está oferecendo uma recompensa de 1000 dólares para quaisquer informações que levem à prisão do vândalo.
Fonte: MySA 05/12/2006. |
 |
| |
|
Polêmica no Canadá sobre destruição de caverna com valor cultural
Uma caverna nos montes Skirt em Langford, Canadá, tem sido alvo de polêmica. Arqueólogos do governo alegam que a única maneira de realizar o salvamento arqueológico da caverna, de forma segura, seria removendo o teto da mesma que, segundo especialistas, encontra-se bastante instável. A pesquisa arqueológica irá realizar sondagens no piso da caverna em busca de vestígios de valor cultural. Estas escavações poderiam comprometer ainda mais a estabilidade da caverna.
Representantes dos povos nativos protestam alegando que a remoção do teto da caverna, um lugar sagrado para os nativos, constitui uma forma de genocídio cultural. Os arqueólogos alegam, no entanto que, enquanto não forem encontrados vestígios de valor cultural, o local não tem como ser protegido. Os chefes indígenas estão revoltados com o tratamento dado à caverna. Um lago subterrâneo foi drenado e a vegetação acima da caverna foi removida.
Parte da polêmica diz respeito ao perímetro de proteção da caverna. Representantes indígenas requerem um perímetro de proteção de 1 km ao redor da caverna, enquanto um perímetro de proteção de 100 m tem sido adotado por uma empresa de construção civil que planeja um condomínio na área. A empresa protesta, pois somente após a construção de estradas e outras obras de infra-estrutura em acordo com os 100 m de perímetro, os grupos indígenas passaram a exigir um perímetro mais amplo. Trabalhadores da empresa efetuaram uma manifestação de protesto em repúdio ao movimento indígena.
Após muitas ameaças de parte a parte, as partes envolvidas concordaram em aceitar um período de 2 semanas de negociações. A empresa de construção civil planeja, em acordo com o governo, implantar um cassino na área. Parte dos lucros do cassino seria revertida para os povos indígenas. A possibilidade de trocar uma caverna por um cassino tem sido recebida com ressalvas pela comunidade espeleológica.
Fonte: Times Colonist 16/11/2006; 17/11/2006/ 02/12/2006. |
|
| |
|
Morcegos utilizam orientação magnética
Uma pesquisa apresentada a poucas semanas no periódico Nature demonstra que a orientação de morcegos depende do campo magnético existente. Os morcegos utilizam a ecolocação para localizar alimento (como insetos) ou desviar de objetos, permitindo que se movimentem com desenvoltura em ambientes totalmente escuros como cavernas. A nova pesquisa mostra que campos magnéticos podem auxiliar os morcegos a se orientarem durante migrações ou para reencontrar locais de hibernação, acasalamento ou mesmo as cavernas onde passam a maior parte de suas vidas.
A pesquisa envolveu a soltura de morcegos a 20 km de seu local de origem com dispositivos de localização. Alguns grupos foram submetidos a um campo magnético com desvios de 90 graus no sentido horário e anti-horário. Os morcegos sob influência do campo magnético não seguiram a direção correta, tendendo a apresentar um desvio na rota relacionado à direção do campo magnético imposto. Ao contrário, o grupo sem influência magnética tomou a direção correta. No entanto, os morcegos que, influenciados pelo campo magnético distorcido, tomaram o rumo errado foram capazes, por si só, de corrigir a direção e eventualmente encontrar o local de onde haviam partido, mostrando que possuem um mecanismo que permite recalibrar sua "bússola" interna. A orientação magnética dá-se, provavelmente devido à presença do mineral magnético magnetita no corpo dos morcegos. Esta pesquisa constitui um importante avanço a respeito de como os morcegos se orientam.
Fonte: National Geographic.com 06/12/2006. |

|
| |
|
Enorme salão é descoberto na Inglaterra
Espeleólogos ingleses fizeram uma grande descoberta na já muito explorada região de Derbyshire. A caverna, denominada Titan, possui um salão com cerca de 140 m de altura, o maior das ilhas britânicas. A história da descoberta é interessante. Dave Nixon vislumbrou a possibilidade da existência da gruta após ler um relato no qual, em 1793, um certo James Plumtree descreveu uma rede de galerias que existiria abaixo de outra caverna conhecida na área. Nixon e outros colegas espeleólogos suspeitaram que a entrada estaria camuflada sob blocos e, após uma trabalhosa desobstrução, descobriram as galerias que os levaram ao abismo que dá acesso ao enorme salão de Titan Cave. Todo o processo de desobstrução e acesso às galerias principais levou mais de 3 anos.
Fonte: Daily Mail 06/11/2006 |
|
| |
|
Arte em cavernas da África denota vida em harmonia com a natureza
Nas cavernas dos montes Cederberg, pinturas realizadas pela tribo San podem ensinar à sociedade atual valiosas lições sobre como viver em harmonia com a natureza. Esta é a opinião de John Parkington, professor de arqueologia da Universidade da Cidade do Cabo. Milhares de pinturas mostrando antropomorfos e animais foram realizadas em ocre e argila entre 200 até 10 mil anos atrás. As pinturas, na opinião de Parkington, refletem a maneira que estes povos enxergavam a natureza, refletindo também a influência do xamanismo, ou seja, rituais místicos sob influência de substâncias halucinógenas.
A cultura San entrou em decadência após a chegada do homem branco por volta de 1650. Perseguidos por patrulhas armadas, dizimados por doenças, a maior parte foi escravizada e presa. Seus rituais e crenças foram negados pela cultura do apartheid. O principal objetivo do projeto liderado por Parkington é reabilitar a cultura San, que pode nos legar informações importantes sobre como lidar com a natureza.
Fonte: CNN.com 22/11/2006.
|
 |
| |
|
Explorador falece após queda em caverna americana
Um experiente explorador de cavernas, Edward Martin de 40 anos, faleceu na caverna Sloans Valley no estado de Kentucky, após sofrer uma queda de cerca de 10 m. Martin fazia parte de um grupo de 7 pessoas que, ao decidir sair da caverna, resolveu dividir-se em dois. Uma parte preferiu sair por uma rota mais rápida porém mais perigosa. Os três espeleólogos à frente de Martin conseguiram sair, porém este escorregou em um patamar e sofreu a queda fatal. Apesar de socorrido no local, os ferimentos o levaram à morte antes da chegada da equipe de resgate.
Fonte: Lexington Herald Leader 27/11/2006..
|
|
| |
|
Garota é resgatada de abismo na Nova Zelândia
Uma garota de 12 anos de idade, Madison Billens, caiu em um abismo de cerca de 10 m de profundidade durante uma festa de aniversário no distrito de Takaka, na Nova Zelândia. Esta área cárstica possui muitos abismos verticais, conhecidos localmente como tomos. Apesar de ferida, a garota foi resgatada com sucesso e passa bem. O acidente não parece ter intimidado a garota: "Foi muito divertido, parecia que eu estava voando até que eu atingi o fundo" disse Billens.
Fonte: NZ Herald 10/12/2006.
|
|
Expediente
Comissão Editorial:
Augusto Auler, Ericson C. Igual, Leda
Zogbi, Luis Fernando S. Rocha, Renata
Andrade, Renata Shimura.
Diagramação:
Carlos H. Maldaner
Logotipo:
Daniel Menin
Artigos assinados são de responsabilidade
dos autores. Artigos não assinados
são de responsabilidade da comissão editorial.
A reprodução de artigos aqui contidos
depende de autorização dos autores
e deve ser comunicada à REDESPELEO
BRASIL (conexao@redespeleo.org).
Conexão Subterrânea pode ser repassado,
desde que de forma integral, para
outros e-mails ou listas de discussão. |