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III Encontro Brasileiro de Estudos do Carste
Por Maria Elina Bichuette - Comissão Organizadora- Carste 2009
O III Encontro Brasileiro de Estudos do Carste (Carste 2009) será organizado na cidade de São Carlos, região central do estado de São Paulo, entre os dias 30 de outubro e 02 de novembro. Contará com o apoio da comunidade técnico-científica e realização da Redespeleo Brasil e Universidade Federal de São Carlos. A idéia é trazer a participação de técnicos da área da espeleologia, pesquisadores, organizações ambientais governamentais, entre outras. Desde o último encontro, realizado em 2007 no Instituto de Geociências da USP, vieram à tona discussões importantes acerca da legislação pertinente à proteção do patrimônio espeleológico brasileiro. Em 2008, diversos acontecimentos (Decreto 6640, discussão sobre critérios de relevância) levantaram discussões acaloradas sobre conservação e desenvolvimento. O evento a ser realizado em 2009, o qual acontecerá nas dependências da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), deverá representar uma continuidade neste processo de discussão e amadurecimento de questões tão pertinentes, além de ter o desafio de resgatar uma integração entre a comunidade técnico-espeleológica e científica (daí veio a idéia da chamada do evento), no intuito de agregar discussões robustas para proposição de áreas prioritárias para proteção.
Em breve informações sobre inscrições, submissão de resumos e programação do evento estará disponível na página da Redespeleo.
Saudações a todos!
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Novo menos mil no México - Expedição Santito 2009 - Sierra Negra, México
Traduzido por Ingo Wahnfried
A expedição ao Maciço Santito foi realizada entre os dias 28 de Fevereiro e 26 de Março de 2009. Reuniu uma equipe internacional de 15 experientes espeleólogos, oriundos do México, Austrália, Estados Unidos, Espanha, Suíça e França.
O acampamento base foi montado a 1900 m de altitude, a uma hora e meia de caminhada a partir da vila de Huizmaloc. A zona explorada fica próxima de Ocotempa. Os resultados são muito positivos: o abismo "Santito" passou a -1125 m, e foi descoberta a junção com o "Akemabis". Duas novas entradas foram encontradas. O sistema possui uma profundidade total de 1180 m, com desenvolvimento de mais de 5 km.
É o quarto abismo com mais de 1000 m na região. Os outros são: "Poso Verde" (-1070 m), "Akemabis" (-1111 m antes da junção) e "Akemati" (-1135 m). "Santo" (-580 m), cuja boca fica a menos de 30 m da entrada do "Santito", ainda não foi conectado ao sistema.
"Paisano", cuja entrada fica 650 m acima dos outros abismos, no mesmo maciço, foi explorado até -300 m, e como se costuma dizer: "Continua!".
Fonte: www.explos.org/blog/2009/02/expedition-santito-2009.html
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Topografada a maior caverna do Rio Grande do Norte
Por Diego Bento, Jocy Cruz e Leda Zogbi
Em meados de fevereiro, uma equipe fomada por espeleólogos do CECAV/RN e do Meandros Espeleo Clube topografou a maior caverna do Rio Grande do Norte. A Gruta do Trapiá encontra-se na Zona Rural do município de Felipe Guerra e na oportunidade foram mapeados 1.200 metros de desenvolvimento linear. Até então, a Furna Feia, localizada no município de Baraúna, era considerada a maior caverna do Estado, com 739 metros de desenvolvimento.
A Gruta do Trapiá foi localizada em setembro de 2003, durante uma prospecção da Base Regional do CECAV no RN. Durante esta incursão pioneira, a equipe somente conseguiu explorar cerca de 600 metros da caverna, já que a visita ocorreu no final do período chuvoso, e diversos trechos da caverna ficam inundados nessa época. Posteriormente, algumas visitas foram feitas à entrada da caverna, porém uma colméia de abelhas italianas instalada na única entrada conhecida (um abismo) impossibilitou o acesso. Novos avanços na exploração da caverna só voltaram a ocorrer em janeiro de 2007, quando a equipe do CECAV acompanhou as atividades de pesquisa geológica desenvolvidas por Francisco Cruz (Chico Bill) da USP, e cerca de 200 metros de novas galerias foram explorados.
Já com a certeza de ser esta a maior caverna do Estado, uma expedição exclusiva para mapeá-la se fazia necessária. Foi então organizada esta expedição, composta pelos espeleólogos Leda Zogbi, Daniel Menin, Renata Andrade e Marcelo Kramer, do Meandros, e Jocy Cruz, Diego Bento, Darcy Santos e Iatagan Mendes, do CECAV/RN.
O acesso à caverna se dá por meio de um abismo de 18 m de altura, bem ornamentado. A caverna desenvolve-se no sentido Sul-Norte, e segue um percurso meandrante, em longos condutos sinuosos, com chão de areia e seixos, intercalando trechos com teto baixo e altas cúpulas. A extremidade sul já foi completamente explorada e mapeada, porém o trecho norte foi interrompido por falta de tempo, e não apresenta qualquer indício de afunilamento.
Durante o mapeamento foram encontrados salões volumosos para os padrões locais, fósseis, aparentemente da megafauna pleistocênica, espeleotemas incomuns na região como velas e helictites, além do primeiro registro de flores de gipsita no Estado.
Um sifão sazonal posicionado no início do conduto norte, por onde o mapeamento deve prosseguir, se enche completamente na época das chuvas. Numa segunda investida realizada logo após o carnaval, a equipe não conseguiu transpor este obstáculo. Somente com a diminuição do nível da água - que está sendo monitorado regularmente pelo CECAV-RN - será possível dar continuidade ao trabalho de topografia.
A grande quantidade de areia no interior da caverna sugere uma conexão direta com o rio Apodi/Mossoró, que está distante aproximadamente mil metros do ponto mais próximo mapeado da caverna, o que leva a crer que a Gruta do Trapiá tem potencial para se tornar a maior caverna do Nordeste, excluindo-se as da Bahia.
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Novidades Redespeleo - Conselho Gestor e Secretaria
Em novembro do ano passado, na assembléia geral da Redespeleo realizada em Brasília, foi eleito o novo conselho gestor, que agora é composto pelos integrantes:
1º. Conselheiro - GPME Ericson Cernawsky Igual Suplentes - Dennys Corbo e Francisco José Sarpa Lima
2º. Conselheiro - EGRIC Ricardo Coeli Simões Coelho Suplente - Carolina Matumoto
3º. Conselheiro - GEEP Açungui Luis Fernando Silva da Rocha Suplente - Flávia Fernanda de Lima
4º. Conselheiro - EGB Willamy Sabóia Suplente - Paulo Arenas
5º. Conselheiro - GBPE (Bambuí) Maria Elina Bichuette Suplentes - Ezio Rubbioli e Alexandre Lobo
A Secretaria da Redespeleo está sob nova responsabilidade. Depois de administrada provisoriamente pela Profª. Drª. Maria Elina Bichuette, o cargo foi assumido por Mirela Fachinete, após apresentação de seu currículo e aprovação pelo conselho gestor, no mês de março. A nova secretária da Redespeleo cursa Secretariado Executivo Bilíngüe e ainda não conhece a beleza das cavernas. "Nunca fui à caverna, mas gostaria de conhecer para entender melhor sobre elas", diz. A Redespeleo Brasil dá as boas vindas à Mirela Fachinete e espera em breve levá-la aos subterrâneos do nosso país e mostrar o motivo pelo qual gostamos tanto de estar embaixo da terra.
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Mapeada lapa da Delza, em Vazante, MG
Por Cristian Bittencourt e Leda Zogbi
No dia 7 de março, foi realizado o mapeamento da lapa da Delza, localizada na área urbana de Vazante-MG. Esta caverna é um exemplo clássico de caverna hipogênica, com várias feições morfológicas indicativas de dissolução por fluxo ascendente. Foram 12 horas de mapeamento realizado por duas equipes de topografia, compostas pelos espeleólogos Augusto Auler, Allan Silas Calux, Cristian Bittencourt, Gustavo de Oliveira, Leda Zogbi e Ramon Soares, que resultou, após o mapa ser finalizado, em 1.564 m de projeção horizontal.
A caverna inicia-se por uma descida íngreme por um escorrimento, que dá acesso a alguns salões bem ornamentados. Atravessando estes salões, chega-se ao conduto principal da caverna, que segue a direção sul/norte. Nas laterais deste conduto foram mapeados diversos trechos labirínticos, e uma galeria mais ampla apresentando numerosos espeleotemas em aragonita, flores e cristais, muitos deles quebrados e acumulados num local da caverna, aparentemente por ação de vandalismo. Quase no final do conduto principal, chega-se numa ampla sala coberta de lama com grandes gretas de contrações e com uma grande flor de aragonita no teto (Sala das Gretas) e, depois, numa pequena sala redonda com uma fina cachoeira, que cai de uma altura de aproximadamente 16 m. Depois da cachoeira, o conduto continua na mesma direção, porém muito estreito. Em todo o percurso, foram observados "feeders", que são pontos de entrada de fluidos nos sistemas hipogênicos. Estas feições se encontram estruturalmente nas porções mais baixas da caverna, tratando-se de condutos verticais ou subverticais, pelos quais os fluidos ascendiam do aqüífero fonte. O conduto principal da caverna era a passagem principal de água que concentrava todo o fluxo, gerando outras feições como cúpulas e canais de teto.
Este mapeamento teve como objetivo a coleta de dados para o Projeto do Instituto do Carste "O Carste Hipogênico do Grupo Vazante, Minas Gerais" e foi possível através da parceria entre o Instituto do Carste e a Votorantim Metais. A lapa da Delza já havia sido mapeada pela SEE de Ouro Preto na década de 1960, mas era necessário um mapa mais preciso, de modo a permitir a interpretação genética desta importante caverna. Maiores informações sobre o projeto podem ser obtidas em:
http://www.institutodocarste.org.br
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Descoberto o mais amplo salão do mundo
Traduzido e adaptado por Ingo Wahnfried
Com porções de 200 m de altura 140 - 150 de largura, e comprimento de mais de 5 km, o salão da caverna Hang Son Doong (ou Caverna do Rio da Montanha), no Vietnã, pode ter quase o dobro do tamanho do recordista atual, o salão Sarawak, na Malásia, com 100 m de altura e 90 de largura.
Com auxílio de representantes da Universidade de Ciência de Hanoi, a expedição conjunta Britânica-Vietnamita de 2009 passou 5 dias explorando a caverna no parque nacional Nha-Ke Bang.
Adam Spillane, membro do time de 13 pessoas, disse "É uma caverna de dimensões impressionantes, e uma das descobertas mais significativas de um grupo de espeleologia britânico. O mapa completo ainda está sendo feito, mas estimativas iniciais indicam uma altura de 200 m em alguns lugares, e possivelmente mais em outros. A maior parte do salão tem mais de 100 m de largura, e algumas porções passam de 150 m." A extensão total da caverna passa dos 5 km.
Adam, cuja equipe agora está de volta ao Reino Unido analisando os dados, disse ainda: "A caverna foi descoberta em 1991 por um mateiro chamado Ho Khanh, da vila de Phong Nha. Khanh foi nosso guia em diversas expedições à floresta para procurar cavernas, e este ano levou a equipe à caverna onde ninguém havia entrado, incluindo os mateiros locais. Isto ocorreu porque a entrada, pequena para os parâmetros vietnamitas (10 m de altura e 30 m de largura), emite um som e um vento assustadores, por causa de um grande rio subterrâneo.
A equipe passou 6 horas caminhando na mata para chegar à caverna. Descendo a grande salão, tiveram de atravessar dois rios subterrâneos antes chegar à passagem da Hang Son Doon. O porta-voz da equipe, Haward Limbirt, descreveu a nova descoberta como possuidora de incrível beleza e grandiosidade, a avisou que a administração local não deveria explorar a caverna turisticamente, mas sim reservá-la para fins de pesquisa. Todos os dados levantados foram repassados aos admisistradores do parque.
Os espeleólogos retornarão ao Vietnã no fim deste ano para terminar o mapeamento e as explorações na caverna.
Fonte: http://www.thesun.co.uk, www.english.vovnews.vn
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Jornadas Carste 2009 - Pesquisador britânico fará palestra sobre espetaculares cavernas da África, Ásia e Oceania
Por Augusto Auler
O programa "Jornadas Carste", estabelecido em 2008 pelo Instituto do Carste, tem como objetivo trazer ao Brasil a cada ano ao menos um pesquisador internacional de ponta, para proferir palestras e participar de atividades de campo. Este ano, o convidado será o pesquisador britânico John Middleton.
Durante 50 anos de atividades espeleológicas, Middleton teve a oportunidade de praticar a espeleologia em cerca de 35 países, com ênfase em regiões longínquas e pouco conhecidas, em geral abordando cavernas pouco comuns (como grutas em sal e gesso), em ambientes espetaculares dos pontos de vista natural e cultural.
John Middleton irá proferir uma palestra no dia 03 de junho (quarta feira) às 20h30, na sede do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, situada á Avenida Nossa Senhora do Carmo, 221, Sala 307/308, Belo Horizonte. O tema da palestra será: "Carste e Cavernas da África, Ásia e Oceania: Uma introdução às espetaculares e pouco conhecidas cavernas de Madagascar, Etiópia, Mauritânia, Líbia, Iran, Iêmen, Laos e Nova Caledônia". Nesta incrível viagem, ricamente ilustrada com imagens belíssimas, será possível conhecer um pouco sobre a cultura local e suas cavernas pouco visitadas, de grande interesse científico e esportivo.
John Middleton iniciou-se na espeleologia em 1959, no carste de Yorkshire Dales e Peak District, região central da Inglaterra. Em 1962, tornou-se membro do Yorkshire Ramblers Club, o primeiro grupo espeleológico da Inglaterra, fundado em 1892. Além de suas freqüentes explorações ao longo de 50 anos, John Middleton é autor (com Tony Waltham) do livro "An Underground Atlas", uma compilação sistemática de cavernas em todos os países do mundo, além de inúmeros artigos científicos. No Brasil, John Middleton estará acompanhado de sua esposa, Valerie Middleton, companheira freqüente de expedições durante os últimos 14 anos. Após a palestra John e Valerie Middleton irão excursionar por algumas regiões cársticas brasileiras.
O programa "Jornadas Carste" tem como objetivo promover uma rica interação técnico-científica internacional, extremamente importante para a nossa espeleologia. Em 2008 o "Jornadas Carste" trouxe ao Brasil o pesquisador ucraniano Alexander Klimchouk, que proferiu palestras em Belo Horizonte, Vazante e São Paulo, além de visitar várias cavernas brasileiras.
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Nova expedição à Lapa do Mosquito, Curvelo/MG
Por Leda Zogbi e Felipe Pimenta
Dando continuidade à primeira etapa de campo ocorrida em novembro de 2008 à Lapa do Mosquito, em Curvelo, MG, nos dias 04 e 05 de abril de 2009 foi realizada mais uma expedição, composta pelos espeleólogos Augusto Auler, Allan Silas Calux, Aline Guerra, Felipe Pimenta, Gabriela Rosário, Leda Zogbi, Roberto Cassimiro e Yuri Stávale. Trata-se de uma das cavernas visitadas por Lund e contemplada no projeto do Instituto do Carste denominado "O Grande Roteiro de Peter Lund". Este projeto almeja relocalizar e estudar todas as cavernas visitadas por Lund entre 1834 e 1835 entre a região de Curvelo e Lagoa Santa, no trajeto comumente denominado "Grande Roteiro".
O objetivo desta expedição era dar continuidade à topografia da cavidade que já havia sido mapeada em 700 m de projeção horizontal.
Hospedada nos calcários pretos, oolíticos, com níveis argilosos da Formação Lagoa do Jacaré, a Lapa do Mosquito apresenta significativa sedimentação, tendo sido escavada para extração de salitre e em busca de fósseis pela equipe de Peter Lund.
As equipes mapearam a continuação da galeria do rio, que segue mais estreita, mas sempre muito meandrante depois das grandes galerias da entrada. Foram avistados alguns patamares superiores que não puderam ser mapeados por falta de tempo e de equipamento apropriado. No final deste percurso de aproximadamente 500 m, após um trecho inundado, repleto de troncos e galhos, foi encontrada uma outra entrada da caverna entre blocos desmoronados, por onde o rio sai da caverna.
Além da galeria do rio, também foram mapeadas galerias superiores que desembocam numa outra entrada da caverna (a mesma avistada pela galeria do rio, e que imaginávamos ser uma clarabóia); por fim, foi mapeado um trecho superior próximo à entrada da caverna, explorado - porém não mapeado - na expedição anterior, contendo objetos antigos em ferro, como rodas, marretas, engrenagens, uma leiteira e um cache-pot. Também foi encontrada uma moeda de dois cruzeiros datada de 1946. Os objetos foram devidamente fotografados e deixados no local. É difícil imaginar como e por que esses objetos foram deixados num lugar de tão difícil acesso, já que para chegar nessas salas é preciso escalar um trecho vertical na entrada, depois passar por diversos estreitamentos e um teto baixo, com o chão forrado de pérolas de caverna.
Depois desta etapa de campo, a caverna atingiu a marca de 1400 m mapeados. A topografia ainda não foi esgotada e oportunamente será agendada uma outra expedição.
Maiores informações sobre o projeto estão disponíveis em www.institutodocarste.org.br.
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Retratos do passado: fósseis em cavernas de Sergipe
Por Mário André Trindade Dantas - Centro da Terra: Grupo Espeleológico de Sergipe - matdantas@yahoo.com.br
Desde o século XVIII, os fósseis do Estado de Sergipe vêm sendo estudados por pesquisadores brasileiros e estrangeiros. As pesquisas desenvolvidas desde então demonstram que o Estado é rico em fósseis, principalmente do período Cretáceo e da época pleistocênica.
A primeira descoberta de fósseis em cavernas sergipanas ocorreu em 1997, quando o espeleólogo Elias Silva e colaboradores encontraram, em associação, numa das paredes da Gruta da Raposa, em Laranjeiras, Sergipe (Figura 1A), um dente de tubarão, algumas vértebras de pequenos peixes, equinóides e gastrópodes fósseis datados do período Cretáceo.
O dente foi identificado como pertencente a um tubarão do gênero Ptychodus (Figura 1B), um tubarão hiper-especializado que viveu durante o final do Cretáceo, e possuía uma dentição que lhe permitia quebrar a concha de invertebrados, como as dos equinóides e gastrópodes encontrados em associação na caverna.
No mesmo ano, a mesma equipe explorou o Abismo de Simão Dias, no município homônimo (Figura 2A), e encontraram a carapaça de um jabuti do gênero Chelonoides, de idade pleistocênica (Figura 2B).
Fósseis de mamíferos pleistocênicos só foram encontrados em 2006, em uma expedição conjunta entre o Centro da Terra e um grupo de espeleólogos da Universidade Federal de Lavras (MG), que exploraram a Toca da Raposa em Simão Dias, Sergipe (Figura 3A). Foram encontrados fósseis de duas espécies de mamíferos, um roedor da espécie Galea spixii (Figura 3B), provavelmente holocênico, e de um gliptodonte ("tatu" gigante) da espécie Glyptodon clavipes (Figura 3C) de idade pleistocênica.
As pesquisas paleontológicas nas cavernas sergipanas continuam, objetivando ampliar o conhecimento sobre as faunas que ficaram preservadas nas cavernas sergipanas, através da leitura destes retratos do passado.
Legendas:
Figura 1. (A) Gruta da Raposa, Laranjeiras, Sergipe. (B) dente do tubarão Ptychodus (Fotos: Centro da Terra - Grupo Espeleológico de Sergipe).
Figura 2. (A) Abismo de Simão Dias, Simão Dias, Sergipe. (B) carapaça do jabuti Chelonoides (Fotos: Centro da Terra - Grupo Espeleológico de Sergipe).
Figura 3. (A) Toca da Raposa, Simão Dias, Sergipe. (B) osteodermos do gliptodonte Glyptodon clavipes. (C) mandíbula do preá Galea spixii (Fotos: Centro da Terra - Grupo Espeleológico de Sergipe).
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Nova Comissão editorial do Conexão Subterrânea
Com as mudanças ocorridas no conselho gestor, decidiu-se também por mudanças na comissão editorial deste periódico eletrônico. A última publicação especial sobre o Decreto 6.640/08 (número 73) já contou com a colaboração dos voluntários que fazem parte da nova comissão editorial.
A comissão é formada pelos voluntários: Adriano Gambarini, Alexandre Lobo, Ericson C. Igual, Flávio Santos, Helio Shimada, Ingo Wahnfried e Maria Elina Bichuette.
Venha fazer parte da comissão editorial você também!
e e São Paulo, além de visitar várias cavernas brasileiras.
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Expediente
Comissão Editorial: Adriano Gambarini, Alexandre de Oliveira Lobo, Ericson Cernawsky Igual, Flávio Henrique Santos, Helio Shimada, Ingo Wahnfried, Maria Elina Bichuette.
Diagramação: Carlos H. Maldaner.
Logotipo: Daniel Menin.
Artigos assinados são de responsabilidade dos autores. Artigos não assinados são de responsabilidade da comissão editorial. A reprodução de artigos aqui contidos depende de autorização dos autores e deve ser comunicada à REDESPELEO BRASIL pelo e-mail: conexao@redespeleo.org.
O Conexão Subterrânea pode ser repassado, desde que de forma integral, para outros e-mails ou listas de discussão.
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